"Olá a todos.
A maioria das pessoas é ingrata pelo simples fato de estar viva. Vocês passam os dias absortos em suas próprias ambições, suas rotinas e seus desejos imediatos, tratando o fôlego em seus pulmões como uma garantia inabalável.
Hoje, essa garantia foi revogada.
As coleiras em seus pescoços estão interligadas por um mesmo conjunto de roldanas e contrapesos. O instinto mais primitivo de vocês gritará para que corram e tentem salvar a própria pele. Mas se um de vocês se atirar à frente em desespero, o cabo consumirá toda a folga e arrastará aqueles que estão ao seu redor contra as lâminas industriais que giram nas paredes.
Para sobreviver nesta sala, vocês não precisarão de força ou velocidade. Precisarão de algo muito mais difícil: olhar nos olhos de um completo estranho, conter o pânico e confiar que ele fará o mesmo.
À frente de cada um há uma caixa com uma chave mestra. Se derem passos calmos e sincronizados, todos alcançarão a salvação. Se escolherem o egoísmo, morrerão asfixiados e mutilados juntos.
Viver ou morrer? Façam a sua escolha...
E que comecem os jogos."
"Olá, George. Eu quero jogar um jogo.
Durante anos você reclamou do cansaço do trabalho e da lentidão dos dias. Mas quando viu a chance de enriquecer, sua ambição não hesitou: você seduziu, conspirou e arrancou a vida do velho Heitor e de Dona Lurdes. Para você, duas vidas inteiras foram apenas o preço que você pagou para acumular o peso do ouro nos seus bolsos.
Agora, George, você terá que pagar pelo seu próprio peso. A porta à sua frente só destrancará quando o prato direito da balança igualar o peso do bloco de ferro: dois quilos e meio.
Não há pedras ou objetos soltos nesta sala. O único material disponível é a carne viva daqueles que estão com você. Você sacrificará a sua própria carne para salvar seus companheiros, ou sua ganância o levará a arrancar pedaços daqueles que você acabou de conhecer?
Noventa segundos no relógio. Viver ou morrer, George? Faça a sua escolha."
"Olá, Alexander. Eu quero jogar um jogo.
Durante mais de dez anos você construiu seu sustento à base de jaulas de ferro, redes e caixas escuras. Você privou criaturas indefesas da luz do sol, amontoando corpos vivos na sujeira e na asfixia, calculando com frieza que a agonia de dezenas era apenas um preço aceitável para alimentar a sua ganância.
Você se considerava o predador supremo, o senhor do destino de seres que não tinham voz para gritar.
Hoje, as regras da cadeia alimentar mudaram. O predador foi rastreado, dopado e colocado em sua própria jaula. O mecanismo diante de você foi forjado com as mesmas armadilhas e travas de aço que você espalhou pelo mundo.
Quando o cronômetro iniciar, as grades começarão a se fechar em uma prensa inexorável. Viver ou morrer, Alexander? Faça a sua escolha."